<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502</id><updated>2012-01-31T01:18:23.859-08:00</updated><title type='text'>Textos do Mazive</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-1083595516859777412</id><published>2011-12-15T05:58:00.000-08:00</published><updated>2011-12-15T05:58:02.971-08:00</updated><title type='text'>Um pesadelo de amor</title><content type='html'>Eu estava à porta de uma loja — entrando ou saindo, não me recordo — quando te vi a passar do outro lado da rua. Levantei a mão e balbuciei um “olá”. Tu olhaste para mim, fizeste um sorriso, retribuíste o “olá”, desfizeste o sorriso, te viraste e continuaste a caminhar. Eu fiquei ali especado à espera de sei lá o quê. De repente acometeu-me uma vontade de te falar. Decidi te seguir. Quando faltavam uns quantos passos para te alcançar, porém, entraste por uma porta. Era uma lanchonete, mas tu estavas a experimentar umas sandálias. Foi nesse momento que notei que estava descalço. Olhei à volta, à procura de sapatos, como se sapatos podessem ser encontrados em qualquer lugar e bastasse olhar à volta para achá-los. Vi um homem deitado na berma da rua, aparentemente inconsciente, provavelmente um alcóolico inveterado... Sem cerimónias, tirei-lhe os sapatos. Quando acabei de calçar os sapatos e me ergui, entretanto, tu não estavas mais na lanchonete. Lancei um olhar sobre a rua abaixo e te vi a cerca de cem metros, bem perto da paragem de autocarros. Eu não podia gritar o teu nome, não o conhecia; se quisesse te alcançar, devia correr. Desatei a correr, com todas as minhas forças, mas nunca te alcançava. Perdi-te de vista. Desespero. Quando cheguei à paragem de autocarros, já sem esperança de te ver, olhei para trás e te vi; vinhas aconpanhada com duas mulheres; conversavam; a conversa parecia muito interessante; estavam as três visivelmente excitadas. Eu fui ao vosso encontro e tentei intrometer-me na conversa. Mas vocês não me ligavam importância alguma, era como se não me vissem. Chegados à paragem, olhaste para mim e disseste: “Adeus. Nós não vamos para aonde o senhor vai.”&lt;br /&gt;                                                                                     12/12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-1083595516859777412?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/1083595516859777412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/12/um-pesadelo-de-amor.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/1083595516859777412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/1083595516859777412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/12/um-pesadelo-de-amor.html' title='Um pesadelo de amor'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-6402637035232501289</id><published>2011-11-07T00:18:00.000-08:00</published><updated>2011-11-07T03:34:20.431-08:00</updated><title type='text'>XFobia</title><content type='html'>Os meus amigos tinham medo de fantasmas, do escuro, de cobras, de sapos e de meia dúzia de papões que, segundo eles, assombravam as noites da vila. Eu, inexplicavelmente, passava a vida a fugir de um certo animal que lhes era indiferente, e que se lhe causasse alguma coisa, causava apenas nojo, coisa que era rapidamente resolvida com uma simples cuspidela. Idiota! O bicho era insignificante, quer em tamanho como em força; eu podia assustá-lo e pô-lo a correr com um simples movimento brusco; e podia esmagá-lo com o calcanhar sem precisar cerrar os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que poucas vezes eu via o animalzinho. Na verdade via-o em qualquer animal, objecto ou imagem com tamanho similar. E às vezes tinha pesadelos com ele. Por exemplo, achava-me numa sala sem porta nem janela, com ele e milhares de seus irmãos espalhados pelo chão, pelas paredes e pelo tecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das consequências de tudo foi eu evitar sair de casa para não correr o risco de vê-lo. Mas, por puro azar, o meu segredo foi descoberto por Alberto. E ele passou a divertir-se em me assustar. Olha o animal ai ao seu lado, dizia ele gargalhando. Certo dia resolveu radicalizar e jogou-me o animal no colo. Como eu disse, o bicho era insignificante, quer em tamanho como em força. Mas não consegui livrar-me dele e acabei desmaiando. Quando acordei o bicho estava no meu peito. Tornei a desmaiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que Alberto devia pagar por aquilo. Mas, felizmente, não tive de praticar as minhas aulas de artes marciais. Noutro dia, tentando jogar-me o animal, cometeu uma imprudência que fez o bicho entrar-lhe na camisa. Sentiu o frio e o espernear do bicho e desatou a gritar histericamente. Alguém sugeriu que tirasse a camisa. Tirou a camisa, mas a pressa fez o animal entrar na bermuda. Tirou a bermuda, mas a pressa, de novo, fez o animal entrar na cueca. E, nu, saiu correndo pelo rua acima, ante o olhar de pessoas que, ouvindo os gritos, se haviam posto às janelas. Alberto passou a ter medo do bicho e me deixou em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, como homem feito que sou, não posso ter medo de um animalzinho daqueles. O bichinho apenas me causa nojo, coisa que resolvo rapidamente com uma simples cuspidela. Entretanto, tive o azar de trabalhar numa cidade onde aqueles animalzinhos abundam. Assim, mal volto do trabalho, verifico, metro quadrado por metro quadrado,  se a casa está livre dos animais.&lt;br /&gt;05/11/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-6402637035232501289?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/6402637035232501289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/11/xfobia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/6402637035232501289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/6402637035232501289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/11/xfobia.html' title='XFobia'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-8712925743875480073</id><published>2011-08-02T03:32:00.001-07:00</published><updated>2011-08-02T03:32:44.826-07:00</updated><title type='text'>Como me tornei persona non grata em Insular</title><content type='html'>Surpreendeu-me o convite do Professor M. para seu assistente: eu não fora dos seus melhores estudantes e o problema que íamos resolver, não me lembro agora qual, era dos mais complexos. Mas como eu era um jovem recém-formado, sem nenhuma perspectiva de encontrar trabalho, aceitei o convite se pestanejar. Na véspera, dei a boa notícia a uns amigos, mas eles, ao invés de me parabenizarem e me desejarem boa sorte, me fizeram lembrar que o professor M., entre tantos defeitos, era uma pessoa “muito esquisita”, e que por isso eu devia fazer de tudo para ser pouco, pouquíssimo, espaçoso. Senti uma ponta de inveja na advertência dos meus amigos. Mas no dia da viagem eu iria saber que eles estavam certos. Primeiro o professor me obrigou a estar no aeroporto duas horas antes do voo. Quando ele chegou, procurou-me com os olhos e quando me achou perguntou: “és mesmo tu?” Meu espanto era tanto que não consegui responder. Ele tomou o meu silêncio como um sim. E permanecemos calados durante toda a viagem — ele entretido com um livro, eu com receio de importuná-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegados a cidade de Insular, já fora do aeroporto, o professor M. atirou-se aos braços das cinquenta pessoas que o recebiam, fazendo um sorriso que eu nunca vira nos quatro anos que o via quase todos os dias na faculdade. Parou de sorrir apenas quando alguém quis saber se ele tinha a certeza absoluta de que resolveria o problema. O professor tentou a seguinte saída: “meus amigos e minhas amigas, na boas coisas da vida, nas coisas que realmente importam, o mais importante não é o fim, a meta, a chegada, mas sim o caminho, o percurso, o processo. O que eu vos posso dizer agora é que estamos no bom caminho. Sei por que os meus colegas não conseguiram resolver o problema e se tudo correr dentro do previsto teremos a solução muito antes do que imaginamos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor se alojou o único hotel da cidade e eu o meu lugar foi uma pensão. Lá viviam alguns dos meus colegas dos tempos da faculdade. Gente com quem, aparentemente, podia tratar dos ossos do ofício. Mas nenhum deles me deixava dizer que o professor me contratara porque precisava contratar alguém, que não me deixava sequer estar a par dos avanços e recuos no trabalho. Como facilmente vim a saber, aquelas pessoas, sem excepões, eram tão egoístas que só conversa sobre assuntos do seu interesse, e enquanto tivessem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queixei-me às autoridades, várias vezes. Afinal, tanto eu como o professor M. éramos pagos pelas autoridades da cidade. Mas ninguém moveu uma palha. O problema da cidade era muito antigo. Muitos experts no assunto haviam declarado sua pequenez diante do caso. O professor era a última esperança. Por que é que eles haviam de perder tempo com questões banais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gerente da pensão, que também era filho do dono, gostava de falar para todo mundo das suas pretensões literárias. Não tinha nada publicado, apenas uns quantos contos espalhados pela net. Mas saía de si sempre que alguém ousasse fazer-lhe uma crítica. A sua resposta era a seguinte : “não me acham um génio? Pois vão tirar todas as dúvidas num 10 de Dezembro desses, quando me virem em Estocolmo recebendo do rei da Suécia o diploma Nobel e o cheque chorudo. ”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguía ter conversas normas apenas com o velho dono da pensão, apesar dos seus constantes acessos de tosse. Mas como ele falava tão baixo, eu passava o tempo dizendo “como?” que às vezes acabava irritando-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não era perfeito, também tinha defeitos. Por exemplo, por muito tempo custou-me a crer que a Sónia — que peitinhos! Que bunda — também estava interessada em mim. A mesma insegurança levou a que uma noite eu fosse assaltado: depois de trancar a porta, quis certificar-me de que estava mesmo trancada e que a fechadura não poderia ceder ao mínimo empurrão. Abri e fechei a porta tantas vezes que acabei danificando a fechadura. Depois de apagar a lâmpada da sala, quis ter a certeza de que aquele não seria o último dia da lâmpada. Acendi e apaguei umas quantas vezes que ela acabou se fundindo. Consequência: um assaltante, que já devia ter tentado tantas vezes, entrou na minha casa com a maior das facilidades. Eu ouvi um barulho estranho, mas quando, na ponta dos pés, fui a sala para surpreendê-lo acendendo a lâmpada, lembrei-me que aquela esta fundida. O meliante foi-se embora tranquilamente, levando o que pôde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vamos ao mais importante: como é que me tornei persona non grata naquela cidade quase perdida? É que, numa das festinhas que fazíamos para celebrar “o simples facto de estarmos vivos”, na hora do brinde, em vez de puxar o saco de alguém ou dizer alguma outra babaquice, desatei a enumerar e descrever os defeitos de cada um dos meus “amigos”. Depois de minutos de perplexidade, e começarem a acreditar no que estavam ouvindo, arrastaram-me para fora da casa. À saída, uns pegaram-me pelos pés e outros pelas mãos, contaram até três e jogaram-me na calçada. Fazia chuva e muito frio.&lt;br /&gt;31/07/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-8712925743875480073?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/8712925743875480073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/08/como-me-tornei-persona-non-grata-em.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/8712925743875480073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/8712925743875480073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/08/como-me-tornei-persona-non-grata-em.html' title='Como me tornei persona non grata em Insular'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-4814090580309385501</id><published>2011-06-13T02:10:00.001-07:00</published><updated>2011-06-13T02:10:26.643-07:00</updated><title type='text'>Um casal e tanto</title><content type='html'>Durante onze meses, José António, um operário de meia idade, manteve a sua mulher amarrada à uma corrente (suficientemente comprida para permiti-la fazer os trabalhos domésticos), soltando-a apenas durante as poucas horas que ficava em casa. E o caso só foi descoberto porque uma amiga da pobre mulher foi visitá-la fora do horário habitual. Aterrada, chamou imediatamente a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso despertou o especial interesse da doutora Joana, uma defensora ferrenha dos direitos da mulher. No seu característico tom amigável, dirigiu-se à mulher nos seguintes termos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Minha amiga, eu posso te livrar desse homem para sempre. O que você precisa fazer é não retirar a queixa. E deixa o resto comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não posso — balbuciou a mulher, cabisbaixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O quê? — disse a doutora, indignada. — Pelo amor de Deus! Mais um caso que não vai dar em nada. Será que você não tem noção do perigo que corre nas mãos desse homem? Presta atenção! Você não pode perder a oportunidade de pôr esse homem na cadeia. Eu e você sabemos que ele não vai mudar. Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A doutora preparava-se para sair da sala, quando a pobre mulher disse, agora com alguma firmeza, mas ainda cabisbaixa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Foi de mútuo acordo. Ele não me forçou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a doutora não reagisse, continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O que acontece, doutora, é que nós queremos ter um filho e ele só queria ter a certeza absoluta de que o filho seria mesmo dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas para isso ele precisava te acorrentar, te tratar como um animal? — disse a doutora, agora não tão indignada, na verdade sentindo-se apenas obrigada a dizer alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É que eu e ele sabemos que eu não presto — disse a pobre mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08/06/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-4814090580309385501?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/4814090580309385501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/06/um-casal-e-tanto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/4814090580309385501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/4814090580309385501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/06/um-casal-e-tanto.html' title='Um casal e tanto'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-8979501383976010040</id><published>2011-06-01T04:20:00.001-07:00</published><updated>2011-06-13T02:15:06.448-07:00</updated><title type='text'>O Mártir</title><content type='html'>Quando eu estava na casa dos vintes, acreditava que podia mudar o mundo, ou pelo menos o meu país. Todas quartas-feiras tinha reuniões clandestinas nos fundos do bar Escondidinho. Uma chatice. Muitos dos participantes chegavam ao encontro completamente embriagados, e o nosso líder, em vez de explicar as nossas próximas acções, gastava todo tempo a repreendê-los. Assim, o número de revolucionários ía diminuíndo, até um certo dia o nosso líder obteve informações que fariam o governo cair. Disse-nos. E mal pudemos dormir naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, antes da hora marcada, estavamos todos na sala, lúcidos. Antes dele contar-nos a novidade, ouvimos tiros. Ninguém se assustou, estavamos num bairro degradado. Normalmente o nosso líder falava aos gritos e expelindo saliva para todos cantos, mas naquele dia ele falava calmamente, com pausas; pelo que foi ao cabo de um minuto que nos apercebemos de que ele fora atingido e pedimos socorro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coube a mim a tarefa de, em nome de todos, visitá-lo no hospital e informá-lo da versão da polícia sobre o incidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Foram eles? — perguntou o nosso líder assim que entrei no quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu assenti com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O importante é que vocês acreditem na causa e continuem a lutar. — disse ele, solenemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas foi um acidente. A polícia perseguia um... um assaltante — disse eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O quê? Então vocês devem me tirar daqui. Façam o impossível. Eu não posso morrer assim — disse o nosso líder, agitado, não tendo pulado da cama porque estava muito debilitado.&lt;br /&gt;01/06/20011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-8979501383976010040?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/8979501383976010040/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/06/ele-queria-morrer-como-martir.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/8979501383976010040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/8979501383976010040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/06/ele-queria-morrer-como-martir.html' title='O Mártir'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-3439055375731513006</id><published>2011-05-27T02:17:00.001-07:00</published><updated>2011-05-27T02:17:04.336-07:00</updated><title type='text'>O encontro com o diabo</title><content type='html'>Algumas semanas após a minha chegada ao lugar, finalmente tive a oportunidade de ver o sujeito. Não esperava surpreender-me. E se não tivesse ficado tanto tempo sem ver-me ao espelho, era capaz de jurar que ele tinha parecênças comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20/05/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-3439055375731513006?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/3439055375731513006/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/05/o-encontro-com-o-diabo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/3439055375731513006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/3439055375731513006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/05/o-encontro-com-o-diabo.html' title='O encontro com o diabo'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-4339272685204990267</id><published>2011-01-28T05:17:00.001-08:00</published><updated>2011-01-28T05:17:47.768-08:00</updated><title type='text'>Por ela</title><content type='html'>Uma carcaça alimentaria Sónia pelo resto do Inverno, mas porque falava-se do fim da peste, resolvi levar duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava embrulhando as carcaças numa mortalha e pensando no meio de transportá-las (na cabeça, no ombro ou simplesmente abraçá-las) quando lembrei-me que não podia sair pelo portão. Como sempre, o chefe da segurança estaria bêbado e dormindo, mas o novo guarda, como qualquer recém-contratado que se preze, estaria com olhos bem acesos. Ocorreu-me então sair pela janela. Os corpos tinham sido metidos nas gavetas há pouquíssimo tempo, podiam se esborrachar no chão, sangue se espalharia por todo lado, alguém podia ver. Mas era a única saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no carro, dei-me por estupefacto ao notar que, ao invés do habitual e inevitável remorso, sentia uma grande satisfação, aquele que toda gente sente depois de cumprir uma missão quase impossível. Se não tivesse a certeza absoluta de que mais de metade dos telefones da cidade estavam grampeados, ligaria para Sónia para gritar, triunfante: “Consegui”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado a casa, Sónia não fez o drama habitual: não me pediu desculpas pelos seus hábitos alimentares imorais e ilegais. Simplesmente esboçou um sorriso, deu-me um beijinho e arrastou a encomenda para cozinha. Eu fiquei na sala vendo televisão, tentando convencer-me de que os sons das machadadas e punhaladas que vinham da cozinha me causavam indignação e nojo, e não apetite.&lt;br /&gt;20-01-2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-4339272685204990267?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/4339272685204990267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/01/por-ela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/4339272685204990267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/4339272685204990267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/01/por-ela.html' title='Por ela'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-7513182390127757345</id><published>2011-01-13T02:49:00.000-08:00</published><updated>2011-01-13T02:49:33.883-08:00</updated><title type='text'>O tempo</title><content type='html'>O tempo roubara-nos também as afinidades. Todo e qualquer assunto era arrumado em um minuto, e, por muito que nos esforçássemos, não conseguíamos evitar frases curtas e frias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-7513182390127757345?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/7513182390127757345/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/01/o-tempo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/7513182390127757345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/7513182390127757345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2011/01/o-tempo.html' title='O tempo'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-8655130645170176853</id><published>2010-12-27T00:37:00.001-08:00</published><updated>2010-12-27T00:37:38.777-08:00</updated><title type='text'>O pedinte</title><content type='html'>Completamente entregue aos meus pensamentos, caminhava sobre a rua da Independência, em direcção à paragem de autocarros, quando, de súbito, um vulto obstruiu-me o caminho. Antes de voltar a mim, preparei-me: se fosse um vendedor, o dispensaria seu latim e os descontos, eu estava sem dinheiro; se fosse um activista de direitos humanos, um ambientalista ou um religioso, diria que estava frontalmente contra o que defendia e aceitaria um panfleto apenas por polidez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, sentindo-me armado, voltei a mim, vi um homenzinho magrérrimo, circunscrito a uns um metro e sessenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Desculpa-me por fazer parar um pessoa com o senhor — começou, timidamente, sem o poder de persuasão dos meus habituais interlocutores. Aliás, mal conseguia olhar-me nos olhos. — Eu sou da cidade da Matola. Na semana passada soube que era pai. Eu me envolvi com a moça no natal antepassado. Apesar de estar desempregado, os meus pais exigem que eu cuide da menina (na verdade, eles estão muito felizes por serem avós, só querem que eu me esforçe). Ontem um amigo de um tio meu ligou-me, prometendo-me um trabalho. Hoje eu saí de casa muito cedo mas até agora não consegui localizar o homem. E eu não tenho dinheiro para regressar a Matola nem para pagar o dinheiro que eu pedi emprestado para poder vir até aqui. Mano, podias me fazer ver dez contos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esforçei-me por ouvi-lo pecientemente, embora ligeiramente incomodado com os trapos que ele trajava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Infelizmente não posso ajudar-te, mano. Também estou mal — disse eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quis ver a reaçcão do que eu acabara de dizer. Mas um transeunte empurrou-me, e tive de precaver-me de uma queda. Surpreendentemente, vi uma sincera compreensão nos olhos do homenzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado no autocarro, num acento com janela, tornei a ver o homemzinho, abordando outra pessoa. “Ele está mesmo a precisar de dinheiro”, pensei eu, levemente atacado por remorsos. Tive vontade de descer para ajudá-lo, mas o autocarro arrancou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-8655130645170176853?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/8655130645170176853/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/12/o-pedinte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/8655130645170176853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/8655130645170176853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/12/o-pedinte.html' title='O pedinte'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-3156912003255353738</id><published>2010-11-12T03:13:00.001-08:00</published><updated>2010-11-12T03:13:54.428-08:00</updated><title type='text'>Fim da jornada</title><content type='html'>A reunião terminou três horas depois do previsto, à meia noite. Corri imediatamente para a paragem de autocarros. Conforme esperava, estava apinhada de gente, barulhenta... A confusão chegava ao auge sempre que um autocarro parasse. Tentavam todos entrar ao mesmo tempo, impedindo por vezes que os que ali desciam pudessem fazê-lo. Determinado a não bater a porta dalgum conhecido ou a esperar o amanhecer fazendo dívidas nalgum bar, resolvi entrar na luta. Tive sorte.  Apesar da minha baixa estatura, consegui entrar na primeira tentativa. Mas fiquei entre os que, de pé, ocupavam o corredor. Faltava ar. De vez em quando, pisando uns e empurrando outros, tentava em vão colocar a cara em direcção a janela mais próxima. Não valia a pena queixar-me ao cobrador; conseguiria apenas enfurecê-lo, o que o levaria a encontrar meios de fazer entrar mais pessoas. Mais inútil seria apelar ao motorista: à este concerniam apenas os assuntos do volante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavamos perto da minha paragem quando uma voz masculina, quebrando alguns minutos de silêncio, disse, aterrada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Esta mulher está morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tal mulher perdera os sentidos um pouco antes. O pobre homem percebeu-o apenas quando virou-se para ver a pessoas que insistia em pendurar-se nas suas costas, apesar das suas ligeiras cotoveladas de protexto.&lt;br /&gt;Apertamo-nos ainda mais, perminitindo que a mulher pudesse ficar deitada no corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu não disse que ainda havia espaço — disse o cobrador, involuntariamente, num tom triunfante, mas arrependeu-se em seguida diante da censura nas dezenas de olhares que logo lhe cobriram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Está desmaiada apenas — disse alguém, após um breve exame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começaram as explicações do incidente. Uns defendiam ferrenhamente que a mulher desmaira por causa da mistura desastrora dos cheiros. Com a mesma convicção outros defendiam uma outra causa qualquer. A razão podia estar com uns assim como com outros. Mais urgente era levar a mulher ao hospital. Apareceram voluntários. Eu me afastei o quanto pude da enferma. Estava mais interessado com o que me aconteceria depois de chegar ao meu destino. Entre a paragem e a minha casa, a rua era estreita, cheia de buracos e escura. Se aquele fosse um dia de azar, podiam-me aparecer bandidos do nada. Estava particularmente preocupado porque, depois de pagar o bilhete, não me restou um único centavo.&lt;br /&gt;Adérito Mazive&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-3156912003255353738?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/3156912003255353738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/11/fim-da-jornada.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/3156912003255353738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/3156912003255353738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/11/fim-da-jornada.html' title='Fim da jornada'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-2396843680380596961</id><published>2010-10-31T05:29:00.005-07:00</published><updated>2010-10-31T05:29:07.185-07:00</updated><title type='text'>Um aspirante à escritor</title><content type='html'>Eu gostava do meu trabalho, a literatura é que me queria só para si. Indiferente aos elogios ou broncas do meu chefe, passava quase todo dia na net, lendo contos de todos os géneros. Findo o expediente, voava para casa, sentava-me à mesa, e, ávido,começava a escrever.  A inspiração sempre me disiludia. Ao cabo de seis horas procurando palavras, eu nunca tinha mais do que duas páginas. Depois punha-me a ler o que acabara de escrever, uma, duas, três, e tantas vezes, procurando descobrir-lhe genialidade.  Se, no final, o textículo não me agradasse, e me fizesse pensar que não era suficientemente talentoso para um dia viver da escrita, que devia era me dedicar seriamente ao meu trabalho, eu tomava qualquer coisa para dormir. Era um método não saudável, covarde, eu sabia. Tentar dormir ao som duma FM seria boa ideia se eles não passassem a vida dizendo a hora e o dia, fazendo-me lembrar de que, fosse em quantidade como em qualidade, não estava em condições de participar de nenhum dos concursos que decorriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, às seis da manhã, sem piedade, o despertador interrompia-me o sono. Mas eu permanecia na cama,  de olhos abertos. Ficava esperando de inspiração para a escrita e para a vida. Inúteis que tinham sido as minhas leituras de clássicos, de uma dúzia de livros de auto-ajuda, e de algumas biografias de homens e mulheres notáveis, só mesmo o acaso me podia salvar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-2396843680380596961?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/2396843680380596961/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/10/um-aspirante-escritor_31.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/2396843680380596961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/2396843680380596961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/10/um-aspirante-escritor_31.html' title='Um aspirante à escritor'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-3812700956627631747</id><published>2010-10-11T03:30:00.001-07:00</published><updated>2010-10-11T03:30:06.490-07:00</updated><title type='text'>A praga</title><content type='html'>Chamaram de pacifismo o que os proibia de chegar às vias de facto. Eu chamei-lhe de cobardia. E porque eles não desperdiçariam o primeiro instante  de coragem que o acaso lhes proporcionasse, resolvi ceder aos apelos do meu frágil corpo e limitar o meu dia-a-dia ao meu quintal. Posição cómoda, comformista, dirão. Mas nada mais podia fazer sendo eu quem era: uma mulher quase octogenária, há muito viúva, sem nenhum dos filhos vivos. Era a mulheres como eu que podiam acusar de prover aquela estranha praga de formigas que, numa clara usurpação das habituais tarefas dos mosquitos, não deixavam que nenhum ser humano dormisse enquanto durasse o Inverno. Não deixei, porém, de ver o ódio dessa gente. Quase todos dias surpreendia alguém bisbilhotando meu quintal, procurando provas irrefutáveis do meu crime, como diziam. Mais corajosos eram certos rapazitos cujo divertimento era gritar-me impropérios e pôr-se em fuga. No começo eu tentava segui-los. Desisti quando sabiamente descobri que a minha saúde não permitiria alcançar o mais preguiçoso molusco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por pura diversão, para livrar-se do tédio e solidão, resolvi preparar a minha morte. Mil ideias me surgiam. Mas a mais delirante foi certamente a que consistia em seleccionar os melhores momentos da minha vida, com o objectivo de passar as imagens na minha mente no momento da verdade, como uma espécie de homenagem a mim mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, naquela manhã fria e nublada em que um burburinho me despertou, senti que o preparo de nada me servira. A princípio pensei que fosse mais uma marcha que esporadicamente organizavam para reivindicar o direito ao sono. As palavras de ordem eram gritadas com particular vigor, e os manifestantes não estavam na rua, haviam invadido o meu quintal. Em vez da resignação que esperava, senti esperança. E sem que deliberasse, vi-me espreitando pelo buraco da fechadura, na esperança de que uma daquelas almas fosse piedosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas o pastor, pelas razões óbvias, havia tentado dissuadi-los a cometer um acto daqueles, condenável tanto aos olhos dos homens como Dele. Estava recolhido a sombra de uma mafurreira situada algures. Desolado. Certamente, as ovelhas mais desgarradas haviam clarificado que não permitiriam que ninguém, fosse quem fosse, lhes impedisse de alcançar seu objectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia dúvidas, o meu dia chegara. Encolhi-me num canto, com as mãos na cabeça, a espera do golpe que me levaria, como se naquela posição o tal golpe pudesse ser menos doloroso e mais eficaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o golpe não chegava.  Volvidos alguns minutos, a posição tornou-se desconfortável, quase todas as minhas articulações me doíam. Voltando a dar ouvidos ao exterior, me apercebi que o barulho diminuíra, os insultos já não eram tão graves. Teriam esgotado seu vasto reportório de impropérios? Teriam novamente temido os baldes de sangue que as formigas sugavam? Teria, o chefe da aldeia, regressado de onde se bandeara há alguns dias? Sim. Pois só ele podia conter a agitação da populaça. Aliás, eu continuava viva porque ele não permitira. Ele usava o argumento de que ninguém conseguira provar que eu era a dona das formigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma resposta certa. Conforme vim a saber, o que sucedeu foi que alguém, sem pretensões de parar a manifestação, teria se questionado: “e se ela não for culpada!” Assim se foi a coragem dos aldeões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meio dia, não havia sinal da balbúrdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegados àquele ponto, o futuro tornara-se demasiado imprevisível. Nada me restava fazer senão recorrer a casa do meu protector. Esperei o anoitecer e me arrastei até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era público que a mulher do chefe da aldeia não morria de amores por mim. Só sob coação ela me daria abrigo. Por desconfiar do seu reconhecidíssimo bom coração, resolvi agir à bruta. Bati a porta com toda violência que me era possível, e com as forças que me sobraram gritei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Comadre, não tenho onde ir! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de um minuto depois, a porta abriu-se, e surgiu uma lamparina. Para poder me ver, a comadre adiantou o rosto, colocando-se ao alcance da luz (aquele rosto era tão murcho quanto o meu, mas naquele momento não percebi porque era a minha imagem que todas crianças eram ensinadas a repugnar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Meu marido não está!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ia dizer esta frase e fechar a porta. Eu a obriguei a recuar antes mesmo que a concluísse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espantou-me a passividade da comadre. Noutras ocasiões teríamos começado uma discussão que duraria o resto da noite. Caí em mim quando a ouvi trancar a porta imediatamente a seguir a sala e depois a do seu quarto. Eu devia dormir na sofá. Móvel que, como ambas sabíamos, era uma autêntica colónias de formigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era absolutamente inútil tentar dormir, resolvi dar uma volta pela aldeia para fazer tempo. Matar saudades, apesar da escuridão esconder sua beleza. Mal passei pelas primeiras casas, comecei a ouvir crianças chorando, adultos sacudindo roupa de cama e me chamando nomes. No entanto, havia quem dormisse. Sim. Eram os que tinham camas, e podiam assim beneficiar-se da recente técnica de evitar formigas. Tendo colocado recipientes cheios de águas nos quatro pés da cama, as formigas que ousassem alcançá-los morriam afogadas naqueles pequenos mares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num lugar que jamais poderei precisar, fiquei esgotada. Noutras ocasiões bastava fingir que era a hiena ou a coruja que diziam que eu me transformava em. Agora não conseguia livrar-me daquela vontade de pousar a cabeça e fechar os olhos. Estava em plena queda quando uma mão me segurou. Era o chefe da aldeia. Senti pelo cheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte a balbúrdia estava transferida para a fronte da casa do chefe da aldeia. Os populares souberam que o homem se ausentara para tratar de assuntos pessoais, e não para procurar a solução para a praga junto das autoridades, conforme vinha fazendo há dez anos, sem falhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;― Calma, calma, meus irmãos! ― começou o chefe da aldeia, sobrepondo-se as centenas de vozes, e confirmando sua autoridade sobre os aldeões. ― Eu não me esqueci das minhas responsabilidades. Tanto é (o velho levantou ainda mais a voz par ofuscar alguns murmúrios) que vou à cidade agora mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As dúvidas acabaram quando a comadre saiu pela porta com uma maleta na mão. Todos sabíamos que continha. Três mudas de roupa: a primeira para o dia em que andaria de departamento em departamento a procura de alguém que lhe marcasse uma audiência com o administrador. A segunda para o próprio dia da audiência, que, de acordo com o administrador, afinal não precisava ser marcada. A terceira muda era para o regresso, o dia em que meia aldeia lhe esperaria ansiosamente no cais a solução do problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias depois, as dez da manhã, estávamos todos no cais, esperando o homem, torcendo para que fosse aquela a vez da solução definitiva. Antes que nos irritássemos com a espera, um barco nos surgiu no horizonte. Exclamações de entusiasmo. O barco aproximou-se e pudemos ver os rostos dos viajantes. Silêncio. Estavam todos desanimados como sempre. Apenas o doutor W parecia indiferente aos fracassos anteriores. Desfez o sorriso apenas quando alguém queixou-se da demora que a solução levava. “Como todas coisas importantes da vida, o mais importante é o processo, o caminho, e não propriamente a chegada”, disse ele naquele tom professoral. Conhecendo-o como o conhecia, posso garantir que falava a verdade, que não investigava apenas por investigar, por investigação, por obrigação., como alguns diziam. Mesmo porque a parte mais dura e chata do trabalho tornara-se desnecessária. Não precisava pedir ao chefe ao chefe da aldeia para reunir o seu povo e explicar a necessidade imperiosa da investigação. E estava livre da vergonha que sentia quando precisasse dizer: “eu sou médico”, tentando convencer a certos homens de que não havia perigo em ele estar a sós com elas, analisar-lhes as marcas das picadelas, extrair-lhes sangue, e fazer-lhes todas perguntas que a investigação exigia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••&lt;br /&gt; A história prolongava-se demais. Já era altura de acabar. Por isso não tive o receio em  dramatizar algo tão inocente como a pergunta que uma criança fez ao seu pai quando ao passar pela minha rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;― É esta a vovó que é dona das formigas? ― disse uma menina, horrorizada com as minhas feições rudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois soube que aquela era a neta do chefe da aldeia. MAS não podia recuar. Exigi que me limpassem o nome. Devia-se fazer uma cerimónia para comprovar a acusação feita, pois, até que se provasse o contrário, eu  não era feiticeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente chegou o dia em que tudo se esclarecerá. Diante de mim, ao alcance dos meus dedos, está a infusão, a que faz com que todos confessem seus pecados, sejam eles quais forem. As pessoas mais influentes da aldeia me rodeiam. Estão todos nervosos. Se eu for de facto culpada, morrerei em seguida, e eles se sentirão aliviados. Se eu for inocente, terão de me pedir desculpas formais e reaprenderem a me tratar como mereço. Feliz parece o curandeiro, mal consegue disfarçar um sorriso. Durante todo tempo lhe foi negada a opinião sobre o caso, por considerarem seu trabalho irracional, primitivo e pagão. Agora, comandando a cerimónia, vinga-se de cada um deles, dizendo com os olhos: “eu disse que a única solução era esta”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-3812700956627631747?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/3812700956627631747/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/10/praga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/3812700956627631747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/3812700956627631747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/10/praga.html' title='A praga'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-5553209018560980183</id><published>2010-09-19T08:25:00.001-07:00</published><updated>2010-09-19T08:25:39.909-07:00</updated><title type='text'>SÓ (Análise crítica)</title><content type='html'>SÓ&lt;br /&gt;Um conto de Adérito Mazive&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Análise crítica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria José Limeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conto "Só", de Adérito Mazive, é de uma exuberância sem par, esbanjando criatividade e imaginação por todos os poros, ainda que salpicado de erros de digitação e de enganos ortográficos. (Mas... quem liga? Quem liga?)&lt;br /&gt;Bem, como ia dizendo, é um texto denso, embora explícito, narrado na primeira pessoa (não há de ser nada, em nada prejudica...). A ação é mais interior do que externa. O discurso é de oprimido em crise existencial.&lt;br /&gt;O tema da solidão atinge os últimos extremos, quando o personagem liga-se ao seu animal de estimação, cujo final trágico provoca o vácuo que o início do texto esboçara... Em nenhum momento, o autor perde o fio da meada na arenga do eu (personagem) contra o outro (realidade circundante). &lt;br /&gt;Além do texto em si, o nome do autor chamou-me a atenção (olá, prazer em conhecê-lo!), pois nada sabia sobre o mesmo e precisei entrar no blog dele para conhecê-lo melhor, desvendando a origem de sua escrita que me parecia vir do Português de Portugal, no que estava redondamente enganada, pois vem de Moçambique. &lt;br /&gt;(Ah, Moçambique, como eu adoro vossa literatura! Como são lindos e criativos vossos textos!)&lt;br /&gt;Mas, vamos ao que interessa. &lt;br /&gt;Que extremos são esses que levam as pessoas aos desvarios da solidão?&lt;br /&gt;A simples timidez?&lt;br /&gt;A des-esperança?&lt;br /&gt;O não-compartilhar da geléia-geral?&lt;br /&gt;O saldo-negativo da conta bancária?&lt;br /&gt;A falta do que-comer?&lt;br /&gt;Serão os laços-partidos em relação à humanidade passíveis de re-construção?&lt;br /&gt;São essas as questões que o autor levanta em seu texto tão inquietante quanto patético, lançando ao leitor um desfecho surpreendente.&lt;br /&gt;E haja prosa bonita!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-5553209018560980183?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/5553209018560980183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/09/so-analise-critica.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/5553209018560980183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/5553209018560980183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/09/so-analise-critica.html' title='SÓ (Análise crítica)'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-6022653953399388826</id><published>2010-09-09T02:10:00.001-07:00</published><updated>2010-09-11T07:52:44.614-07:00</updated><title type='text'>SÓ</title><content type='html'>Expulso da pensão,  nada me restou senão me mudar finalmente para o subúrbio. Uma velha senhora me cedeu o cubículo do fundo do seu quintal em troca de uma quantia altíssima. Mas, tirando as baratas e mosquitos que resistiam à qualquer insecticida, devo dizer que vivia razoavelmente bem. Estranhamente, o crime era uma raridade por aqueles lados. É verdade que fui assaltado mais de uma vez, mas o objectivo dos meliantes nunca era me tirar  o que quer que fosse, pois qualquer um que me pusesse os olhos em cima via que a minha situação financeira era alarmante. Eles queriam era me dar uma licção. Pensavam que, volvidos tantos meses no bairro, eu não fizera amigos por uma espécie de complexo de superioridade. Eu nunca ignorava um oi ou olá de quem quer que fosse.Eu era apenas tímido. O problema era a minha timidez incurável (desde a adolescência que recebia críticas). Devo dizer, porém, que eu não tinha nada a ver com aquela gente. Eles se interessavam por coisas como álcool, drogas, moda e outras futilidades. E a mim interessava-me o estado da minha mísera conta bancária e encontrar alguém que me emprestasse um livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitas as contas, eu me relacionava apenas com a velha senhora. Ela tinha-me certa simpatia. Via-o na tolerância que tinha com os meus atrasos sistemáticos no pagamento das mensalidades e na preocupação que tinha em me arranjar água nas semanas em que não jorrava um gota das torneiras. Mas a nossa relação também não era normal: eu falava só português e ela só changana, por isso limitávamo-nos aos bom dias e boas tardes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei de ser tão só quando um gatinho apareceu no quintal. Na verdade eu o vira antes. Fora numa manhã de frio e chuviscos, na rua que antecedia a minha. O bichinho estava encolhido num canto, gemendo. A imagem me comoveu, mas não o prestei os cuidados que a mãe desnaturada o negara. Foi por causa da cor (os meus pesadelos mais terríveis envolviam gatos pretos, e aquele era completamente preto). “Ainda bem que ele é um animal, e não Homem”, pensei eu ao imaginar onde meteria minha cara se ele me pedisse contas por o não ter ajudado num momento tão crítico. Para compensá-lo, na verdade para perdoar-me a mim mesmo, alimentei-o e deixei que ele entrasse no cubículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana depois, éramos grandes amigos e dependentes um do outro: ele me mantinha suficiente entretido para não falar e rir-me sozinho, como me habituara, e eu o alimentava com o melhor que tivesse. Mal me visse com um saco plástico, o bichinho corria em minha direcção. (O saco plástico era sempre preto. Eu não queria que os vizinhos soubessem o que eu comprava. Ridículo. Pois na mercearia só se vendia peixe e frango).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já pensava em levá-lo comigo no meu hipotético regresso a minha cidade quando, numa certa manhã, a velha senhora disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;― Se o gatinho te incomodar, mande-o embora. Bata-o se for necessário. Eu o comprei para caçar ratos, mas nem para isso ele serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade era que o gatinho cumprira sua missão: não havia sinal de ratos. Eu era incapaz de agredi-lo, apenas emiti um grunhido para que ela soubesse que eu a ouvira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem sempre eu podia estar em casa, fosse quando meus amigos se lembrassem de mim e me convidassem para festas ou quando o marido da dona Antónia viajasse. Numa certa manhã, quando eu voltava dum desses lugares, vi a velha senhora fechando um buraco bem na entrada . Sem que eu a perguntasse ela rematou, ofegante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;― É o gatinho. Mais uma vez chorou durante a noite toda. Isso é sinal de que vai acontecer algo muito grave com pessoas das minhas relações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fé da senhora parecia tão firme que achei imprudente dizer: “Chorou por causa de fome. Ele não come há três dias.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-6022653953399388826?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/6022653953399388826/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/09/so.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/6022653953399388826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/6022653953399388826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/09/so.html' title='SÓ'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-4744362877216499927</id><published>2010-08-13T05:00:00.003-07:00</published><updated>2010-08-13T05:00:41.606-07:00</updated><title type='text'>A Cativa</title><content type='html'>Há muito que não vejo entusiasmo nos olhos do doutor. Em breve o pobre tomará coragem e finalmente me dirá que a minha doença não tem cura. Mas não é esta a doença que mais me dilacera. Fustiga-me mais a possiblidade de morrer sem provar a minha sanidade mental. Não culpo a ninguem. Os homens e mulheres desta cidadezinha me teriam tratado melhor se eu não tivesse aparecido para eles pela primeira vez completamente nua, em pleno meio dia, em plena rua Principal, em plena quarta-feira, o dia em que a via perdia as suas funções originais e se tranformava num gigantesco mercado informal. “Uma mulher nua”, disse a primeira pessoa que me viu. As exclamações e suspiros que se seguiram fizeram com que logo todos me pusessem os olhos em cima. As mulheres, talvez por solidariedade feminina, foram as primeiras a refazer-se do impacto. Enquanto umas, com suas mãos opacas, procuravam tapar os olhos das crinças, outras apressavam-me em cobrir-me. Os homens continuaram paralisados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muita discussão sobre a minha procedência e sobre o que eu ali fazia, decidiram levar-me a polícia. Desconheço o trajecto. Naquela viatura aberta em que me levavam, eu devia abaixar os olhos para fugir dos milhares de olhares – uns atónicos, outros recriminatórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cabo de minutos tentando certificar-se de que eu era real, que não era fruto da imaginação fértil daquele povo, o comandante começou a bombardear-me com perguntas. Eu disse toda verdade. Mas no fim o homem disse, aborrecido: “Levem-na ao macómio. Essa mulher não diz coisa com coisa. A única informação útil que deu é seu nome, Madalena. O resto é... ela tem o descaramento de dizer que acaba de fugir de um cativeiro onde passou toda juventude”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas razões já referidas, também desconheço o trajecto que me levou ao manicómio. Abri os olhos quando o caro diminuiu a velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova casa lembrava-me o cativeiro, apesar de ser diferente em alguns detalhes que logo identificou. Ao muro alto faltava a electrificação; o jardim era relativamente menor e não tinha seguranças e cachorros por todos lados; os corredores também eram brancos, apenas pareciam não terminar; as janelas dos quartos podiam se abrir, ainda que por fora; e todas pessoas do lugar, sem exceções, andavam vestidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saia do quarto apenas uma vez por semana, quando fosse ao gabinete do doutor Mascarenhas, um careca, barbudo e barrigudo, o director do manicómio. O doutor parecia ouvir-me só por ouvir, sonecava em todas sessões. Na sexta semana, decidi calar-me. Preferiria contar minha história a Maria, a mulher da limpeza, que, apesar de rir-se tão ridiculamente como os infelizes que pululavam o pátio, conservava a atenção que o doutor Mascarenhas tinha apenas no primeiro minuto das sessões. Maria não perdia um detalhe que fosse, principalmente o capítulo que apelidei de “o último dia da minha vida”. Um dia em que, tal como nos outros, dirigi-me a paragem de autocarros as 7 horas da manhã; onde, depois dos minutos aborrecedores de espera, finalmente apanhei um autocarro. Mas depois de andar alguns metros — antes mesmo de me aborrecer com o trânsito — sentii, de repente, ter entrando em transe, como se a alma se me tivesse descolado do corpo. No período indeterminável que se seguiu, ouvia apenas choros lamuriantes, que eram logo interrompidos por vozes impacientes. Quando, ainda que parcialmente, recobrei os sentidos, estava estendida numa enorme sala de paredes brancas. Identifiquei algumas pessoas que vira autocarro. Havia apenas uma porta no lugar, muito fina, como se não tivesse sido feita para as suas funções normais. Dela saiu um homem baixo e magro, mas cuja barba, irrepreensivelmente cortada, conferia-lhe alguma elegância. Depois de breves segundo percorrendo a sala com os olhos, o homem esticou o dedo apontando-me. No entanto, e antes que eu me desesperasse, ouvi uma voz que vinha  de todos lados da sala:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não, essa não. Essa vai ser minha mulher — imperou a voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu contava tudo a Maria, menos a parte que falava dos “dias de amor”. Os dias em que ela, como todas raparigas do cativeiro, recebia homens no meu quarto. Saltava tais capítulos, e preferia falar da minha surpreendente gravidez, do filho que tivera, e do facto de só tê-lo visto mediante alguns “dias de amor” extraordinários. Aliás, eu consegui evadir-me porque, por um descuido qualquer, meu filho desaparecera. E eu, a mais interessada, integrei o grupo das buscas nas cercanias do cativeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-4744362877216499927?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/4744362877216499927/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/08/cativa_13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/4744362877216499927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/4744362877216499927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/08/cativa_13.html' title='A Cativa'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-7409099439853979269</id><published>2010-08-06T05:15:00.003-07:00</published><updated>2010-08-06T05:15:19.196-07:00</updated><title type='text'>A estranha mania de Satani</title><content type='html'>Os amigos do bando foram os primeiros a descobrir-lhe a mania. Viam o desmesurado esforço que fazia para que os assaltos envolvessem morte e outro fosse ele a matar. Decidiram expulsá-lo porque o grupo se tornava indiscreto e vulnerável. Mas foram todos capturados no assalto de despedida. Foram todos exemplarmente condenados mas Satani, por causa de sua discutível insanidade mental foi absolvido. Como a minúscula cidade não tinha manicómio, Satani ficou sob vigilância do inspector Muday, o atarefadíssimo chefe da polícia, e de sua mãe. Na verdade, era dona Joana que olhava por ele. “Meu filho não é um monstro”, Dizia ela para livrar o filho de iminentes linchamentos e para aumentar o indisfarçável ódio que os vizinhos e a cidade toda nutriam pelos dois. Mas não pôde protegê-lo para sempre, como prometera. Numa certa noite Satani teve mais uma de suas crises irremediáveis. A morte da vez era o enforcamento. E dona Joana, que era a única que o fazia companhia naquela casa gradeada, não ousou negar ou adiar o espectáculo que o filho queria ver e que não imaginara ter de o fazer. Satani deleitou-se com o dilema mortal em que a mãe estava: dona Joana tentava escolher entre livrar-se da corda grossa que, pressa ao lustre da sala, dilacerava-lhe o pescoço e procurar o chão com os pés curtos e ansiosos. Optou pela segunda alternativa. Mas não para procurar chão algum, para apressar a ida ao céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspector Muday, polícia uqe se prese, chegou tarde. Aliás, de outra forma não seria. Satani tinha a mania (mais uma) de desesperar-se, entrar em pânico, gritar histericamente quando visse o processo de morte concluído. Ele divertia-se com o processo, mas o abominava a morte em si. Por isso, às vezes, para evitar o deprimente after party dividia a autoria das mortes. Não precisava, por exemplo, contratar uma prostituta poder atingi-la as entranhas com uma faca de mesa, e passar a noite toda a assistir o ódio, o desespero, a incompreensão nos olhos da pobre. Podia simplesmente destruir a sinalização rodoviária para causar acidentes. E ser o transeunte solidário, disponível, que, por causa do choque, vai errando os números de emergência, acertando apenas depois de consumada a morte dos acidentados. Podia também invadir a sala dos cuidados intensivos do hospital e desligar todas máquinas que lá se encontrassem. Para poder atingir o apogeu da satisfação, verdadeiros orgasmos múltiplos ao ver a vida a apartar-se daqueles corpos (ou a morte a instalar-se neles?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o inspector Muday, ao ver o corpo pálido de dona Joana (ela fora sem ter tempo sequer para se vestir) e aquele olhar tranquilo (talvez ela pensara que fosse aquela a única solução), resolveu acabar com tudo. Aproveitou-se da tristeza e fragilidade de Satani decorrentes da morte de sua mãe e colocou-lhe no chá uma dessas drogas que dão sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * * * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satani acordou antes da hora. Recebia ainda os primeiros centímetros da faca de mesa quando abriu os olhos surpresos e confusos. Nada havia a fazer. Nem ao menos debater-se. Apressaria a entrada daquele objecto nada perfuro-cortante: os seus membros (superiores e inferiores) estavam presos a cada um dos cantos da sua cama. Impotente, olhou para o inspector com a mesma inquisição com que inúmeras vezes o haviam encarado. “Queres saber por quê?”, questionou Muday com um sorriso que desesperava Satani e o fazia lembrar dos seus momentos de deleite. “Seu menino mimado! Achas que és o único que tem essa estranha mania” disse, agora com um tom sério. “Sua mãe morreu. E não tenho mais ninguém com quem partilhar as consequências da tua irresponsabilidade. Bom… eu só lamento não poder partilhar este momento contigo. Tú sabes te divertir”, concluiu o inspector desferindo mais um golpe frio, lento no peito do jovem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-7409099439853979269?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/7409099439853979269/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/08/estranha-mania-de-satani.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/7409099439853979269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/7409099439853979269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/08/estranha-mania-de-satani.html' title='A estranha mania de Satani'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7177877737258916502.post-4033571821415619289</id><published>2010-07-30T04:01:00.001-07:00</published><updated>2010-07-30T04:01:37.062-07:00</updated><title type='text'>Dia de azar</title><content type='html'>Depois de fazer o serviço, meti-me na rua da Concórdia. Estava tão contente que não tomei um dos cuidados que, na minha profissão, é elementar. Só no final do troço (na parte mais ou menos iluminada) dei-me conta de que estava horrivelmente manchada de sangue a camisa branca que imprudentemente trajava. Tirei-a e amarrei-a no braço direito fingindo um ferimento. As poucas pessoas que via ofereciam ajuda, umas aconselhando- se a procurar cuidados médicos, e outras pedindo carregar o saco plástico preto que eu levava na mão esquerda. Livrei-me deles facilmente. Afinal aquela rua dava ao hospital. Chegado ao hospital, e conforme o combinado, joguei o saco no caixote de lixo, fui ao telefone público e rematei, sem preâmbulos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Já fiz o serviço. Livrei-me do corpo. A gente se encontra no local combinado. Não demora — disse eu num tom triunfante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, passaram 15 minutos sem que o meu parceiro chegasse, ou que pelo menos me desse um sinal. Impaciente, fui novamente ao telefone para pressioná-lo. Mas olhando para o pedaço de papel, vi que ligara para um número errado. Inúmeras vezes eu repreendera o meu parceiro por causa da sua horrível e ilegível letra. O seu 4 era tão circular que era muito difícil não confundi-lo com 9. O desespero apossou -se de mim. Passei 2 longos e penosos minutos tentando decidir se desaparecia do lugar ou se ligava para meu parceiro para explicar o sucedido. Quando, finalmente, optei pela segunda alternativa, meia dúzia de mendigos tomara conta do caixote de lixo. Eram quase todos idosos e visivelmente fracos, mas não me atrevi a enxotá-los, seria inútil. Fugi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas horas depois, a polícia me pegava. Eu não tomara outro cuidado básico: ver a posição das câmaras de vigilância do hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, depois de desgastantes dias de julgamento, estava certo que eu seria condenado, apareceu a pessoa para quem eu acidentalmente ligara naquela madrugada de sábado. Tratava-se de um homem muito alto e muito gordo, mas que denotava uma grande fragilidade interior, a julgar pelo indisfarsável medo que o dominava quando foi arrastado para a sala de audiências. Saiu mais perturbado ainda, talvez por ter estado perto do mais famoso assassino e traficante de órgãos humanos; o carniceiro, segundo certa midia. Só espero não ter passado a ser um dos monstros de seus pesadelos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7177877737258916502-4033571821415619289?l=textosdomazive.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosdomazive.blogspot.com/feeds/4033571821415619289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/07/dia-de-azar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/4033571821415619289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7177877737258916502/posts/default/4033571821415619289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosdomazive.blogspot.com/2010/07/dia-de-azar.html' title='Dia de azar'/><author><name>Adérito Mazive</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16454579511374554511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
