terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A GRANDE MEIA HORA DE BALTAZAR


Sonhou com o diabo e acordou se sentindo o homem mais forte do mundo. Deu um soco na parede e apareceu um buraco.

Agora podia finalmente realizar um sonho antigo e não quis perder nem mais um minuto: saiu à rua só de cueca.

Eram quatro da manhã, mas em breve apareceriam pessoas. Agachou-se atrás de um caixote de lixo, expectante, com os sentidos apurados. Pouco depois ouviu vozes e saiu do esconderijo.

Os três transeuntes primeiro riram-se daquele sonâmbulo gordo e pançudo; depois, ao verem o ódio na cara de Baltazar, viram que deviam era fugir. Dois conseguiram, cada um para seu lado. O terceiro deitou-se no chão e escondeu a cara entre os braços, resignado. Baltazar foi até ele, agarrou seu braço, levou-o até a boca e mordeu. O pobre homem gritou o mais alto que pôde, mas Baltazar só o soltou depois de arrancar um pedaço.

Levantou a cabeça e viu que afinal os outros dois homens tinham estado a assistir a cena. Escolheu um, o que parecia mais veloz, e avançou sobre ele. Perto de alcançá-lo, alguém o abraçou por trás e o derrubou. E depois eram dois homens a dominá-lo e amarrá-lo.