sábado, 8 de junho de 2013

Sobre mosquitos


O pior daquela vila era a praga de mosquitos: quem quisesse ter uma horinha de sono, devia dormir sob uma rede mosquiteira, pois os bichinhos não sucumbiam aos repelentes e outras drogas. Mas ainda assim só se podia dormir depois das três da madrugada, quando a temperatura começava a baixar, porque as redes mosquiteiras tornavam o calor ainda mais infernal.

Entretanto, o pior de tudo era o zumbido dos mosquitos. Não há nada mais irritante e enervante. Como aves de rapina, sobrevoavam a rede mosquiteira, loucos para achar um furo na rede para poderem entrar e, cobardemente, me atacarem. É claro que eu sempre me certificava de que a rede estava bem, que não havia um furinho que fosse. Tanto procurei que um dia achei um. Mas ignorei-o. É que os mosquitos, todo o mundo sabia, preferiam atacar o rosto, e aquele furo estava lá para os pés. Assim, eles jamais me atacariam.

Aquilo era estar a contar com a estupidez do inimigo, uma ideia completamente estúpida. Mas eu precisava acreditar que não seria atacado. Só assim conseguiria dormir. 09/06/2013