sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O sino


Sete da noite. Não escureceu completamente ainda, mas poucas pessoas caminham pelas ruas da cidade. De repente, começa a tocar o sino e os transeuntes desatam a correr para todas as direcções.
 
Eu, Edgar Cabalah, estava a dois quilómetros de casa quando ouvi a primeira badalada. Tomei a rua das Mangueiras e quando passava pelo largo dos Elefantes vi estupefacto que um bar estava aberto. Detive-me à porta para ver os autores de tamanha irresponsabilidade. Eles bebiam e conversavam animadamente. Viraram-se todos para mim ao mesmo tempo, olharam-me com pena. “Chega ai. Não vai acontecer nada. Nunca aconteceu…”, disse um. Desatei a correr ainda mais aterrado. Creio ter ouvido nas minhas costas “covarde” e depois uma gargalhada.
 
Chegado a casa, certifiquei-me de que as janelas estavam bem fechadas, fui ao meu quarto e me meti em baixo da cama.
 
Circulava o rumor de que os nossos inimigos (ninguém havia os visto, mas todo mundo jurava que eram as criaturas mais horripilantes deste mundo), além de limitarem-se a rondar a nossas casas, os monstros passariam a emitir sons, que eram muito insuportavelmente horríveis. E que a única solução era colocar algodão nos ouvidos. Decidi ir buscar. Entretanto, calculei mal as dimensões da cama e levantei a cabeça antes do tempo. Foi uma dor horrível, mais doloroso que aquilo só dor de dente.
 
Não me lembro do momento em que a dor passou e adormeci. No entanto o despertador tocou às cinco da manhã, antes de a cidade acordar. Abri as janelas, escancarei a porta e voltei pra cama.

 

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