quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Leão, um cão


Abro o portão, tiro a cabeça para rua e olho para todos os lados. Depois saio e fecho o portão atrás de mim. Meu celular toca. É o som de recepção de mensagens de texto. Tiro o celular do bolso da calça e leio a mensagem. Tenho que responder, caramba! Não digitei três palavras e ouço o ruído característico do carro do meu vizinho do lado esquerdo. Levanto a cabeça: o portão se abre e o carro começa a sair. Volto a por olhos no celular. Ouço passos vindos do meu lado direito. Levanto a cabeça: é uma mulher magra, baixa, cabisbaixa, insignificante. Volto a escrever a minha mensagem de texto. Irrompe uma gritaria histérica do meu lado esquerdo. É o meu vizinho. Ele está fora do carro e chama por um tal de Leão. Olho à volta para saber o que está acontecendo. A mulher que acabo de ver está agora deitada de costas no meio da rua, debatendo-se. Por cima dela está um cão. Não é possível distinguir-lhe a raça, mas é enorme. O meu vizinho está com as mãos na cabeça. De repente dá meia volta e entra no seu quintal. Eu permaneço no mesmo lugar, sem saber o que fazer. O vizinho reaparece, com um pau numa mão e uma coleira noutra. À esta altura a senhora já não se debate, estando deitada de costas, as mãos abertas, sangue espalhado pelo seu corpo inerte e pelo chão. O cão abocanhou um dos pés da senhora e parece que tenta arrastá-la. O vizinho volta a chamar por Leão. O cão dá meia volta e vai ao encontro do dono, abanando a cauda. 15/08/2012

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