sábado, 7 de julho de 2012

Outro incidente banal

Eu ia para um lugar qualquer. Andava tranquilamente pela rua da Paz, na zona das mangueiras. Quando estava na zona dos coqueiros, um pouco antes da Padaria Ganha Pouco, um carro azul me ultrapassa em disparada, para logo reduzir drasticamente a velocidade, me obrigando a investir todas as minhas forças no travão para não batê-lo, e ainda assim ficar a centímetros disso. Afinal ele ia entrar pela direita, como só agora indicava pelas piscas. “Filho desta, filho daquela, isto da tua mãe, aquilo da tua mãe”, fui dizendo, furiosíssimo. O mau condutor, um homenzinho de um metro e meio de altura, tirou a cabeça pela janela e proferiu palavras de indignação e incompreensão, como se eu não tivesse todo o direito de insultá-lo, como se ele não tivesse colocado em risco uma preciosa vida humana. “Desça se tens culhões!”, disse eu, cheio de vontade de partir-lhe a cara, mas quase certo de que o fulano não desceria. Ele desceu, mas desceu com uma pistola. Se eu pedisse por Deus para que não atirasse, ele atiraria. Se quisesse viver tinha que desafiá-lo. “Sim, pode atirar. O senhor portou-se mal e agora quer me matar. Esteja à vontade. Atira.” A nossa discussão havia chamado a atenção de muitos transeuntes. Talvez por isso ele levantou a camisa, mostrou a sua barriga de cerveja e enfiou a arma na bermuda. Eu devia sair dali, antes que o homenzinho mudasse de ideias. Entretanto, quando ia passar pelo entroncamento entre as ruas da Paz e da Revolução, o sinal ficou vermelho e vi-me lado a lado com ele. “Você! Vou te mater, você!”, disse. Mas desta vez não me mostrou a pistola. 05/07/2012