quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um pesadelo de amor

Eu estava à porta de uma loja — entrando ou saindo, não me recordo — quando te vi a passar do outro lado da rua. Levantei a mão e balbuciei um “olá”. Tu olhaste para mim, fizeste um sorriso, retribuíste o “olá”, desfizeste o sorriso, te viraste e continuaste a caminhar. Eu fiquei ali especado à espera de sei lá o quê. De repente acometeu-me uma vontade de te falar. Decidi te seguir. Quando faltavam uns quantos passos para te alcançar, porém, entraste por uma porta. Era uma lanchonete, mas tu estavas a experimentar umas sandálias. Foi nesse momento que notei que estava descalço. Olhei à volta, à procura de sapatos, como se sapatos podessem ser encontrados em qualquer lugar e bastasse olhar à volta para achá-los. Vi um homem deitado na berma da rua, aparentemente inconsciente, provavelmente um alcóolico inveterado... Sem cerimónias, tirei-lhe os sapatos. Quando acabei de calçar os sapatos e me ergui, entretanto, tu não estavas mais na lanchonete. Lancei um olhar sobre a rua abaixo e te vi a cerca de cem metros, bem perto da paragem de autocarros. Eu não podia gritar o teu nome, não o conhecia; se quisesse te alcançar, devia correr. Desatei a correr, com todas as minhas forças, mas nunca te alcançava. Perdi-te de vista. Desespero. Quando cheguei à paragem de autocarros, já sem esperança de te ver, olhei para trás e te vi; vinhas aconpanhada com duas mulheres; conversavam; a conversa parecia muito interessante; estavam as três visivelmente excitadas. Eu fui ao vosso encontro e tentei intrometer-me na conversa. Mas vocês não me ligavam importância alguma, era como se não me vissem. Chegados à paragem, olhaste para mim e disseste: “Adeus. Nós não vamos para aonde o senhor vai.”
12/12/2011

1 comentário:

  1. Eu, ja näo aguento com seus texto ADERITO, ja disse isso antes e posso ainda repetir por quatrilhoes vezes, sei-la quanto for possivel os algarismos.

    Ca na minha faculdade Temos um jornal universitario,( que sai em formato imprimido) gostaria que publica-se um dos teus texto, numa das ediçoes...

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