domingo, 19 de setembro de 2010

SÓ (Análise crítica)


Um conto de Adérito Mazive

(Análise crítica)

Maria José Limeira

Esse conto "Só", de Adérito Mazive, é de uma exuberância sem par, esbanjando criatividade e imaginação por todos os poros, ainda que salpicado de erros de digitação e de enganos ortográficos. (Mas... quem liga? Quem liga?)
Bem, como ia dizendo, é um texto denso, embora explícito, narrado na primeira pessoa (não há de ser nada, em nada prejudica...). A ação é mais interior do que externa. O discurso é de oprimido em crise existencial.
O tema da solidão atinge os últimos extremos, quando o personagem liga-se ao seu animal de estimação, cujo final trágico provoca o vácuo que o início do texto esboçara... Em nenhum momento, o autor perde o fio da meada na arenga do eu (personagem) contra o outro (realidade circundante).
Além do texto em si, o nome do autor chamou-me a atenção (olá, prazer em conhecê-lo!), pois nada sabia sobre o mesmo e precisei entrar no blog dele para conhecê-lo melhor, desvendando a origem de sua escrita que me parecia vir do Português de Portugal, no que estava redondamente enganada, pois vem de Moçambique.
(Ah, Moçambique, como eu adoro vossa literatura! Como são lindos e criativos vossos textos!)
Mas, vamos ao que interessa.
Que extremos são esses que levam as pessoas aos desvarios da solidão?
A simples timidez?
A des-esperança?
O não-compartilhar da geléia-geral?
O saldo-negativo da conta bancária?
A falta do que-comer?
Serão os laços-partidos em relação à humanidade passíveis de re-construção?
São essas as questões que o autor levanta em seu texto tão inquietante quanto patético, lançando ao leitor um desfecho surpreendente.
E haja prosa bonita!

1 comentário:

  1. É uma delicia passear por aqui.
    Ja estou te seguindo
    Grande abraço, em divina amizade.

    Sonia Guzzi

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